Os Turcos, a Alemanha e a Securitarização da Imigração

Emília Patrício

Abstract

A securitização da migração, já vísivel desde a década de 80 sofreu um incremento significativo em termos de discurso político e de práticas nele sustentadas após o 11 de setembro de 2001, consagrando em definitivo o esteriótipo do imigrante muçulmano como ameça à segurança do Estado e da sociedade europeia, e forçando à legitimação entre as opiniões públicas de um suposto nexo entre imigrante muçulamano, terrorismo e criminalidade transnacional organizada. Na Alemanha, foram os turcos, quer sob a forma de membros da maior comunidade imigrante muçulmana, quer sobre a forma de potenciais imigrantes, que sofreram o maior impacto desta securitarização. O nosso estudo conclui que, pese embora a diminuição das correntes migratórias provenintes da Turquia ser vísivel, não é todavia possível afirmar que tal se deva direta e muito menos exclusivamente à adoção de políticas securitárias no campo da gestão migratória na Alemanha. Já em relação às consequências das políticas securitárias sobre a qualidade da integração da comunidade imigrante turca instalada no país, é possível perceber que esta só veio reforçar (e acelerar até) a legitimidade social latente de processos de descriminação e estigmatização a que esta comunidade sempre esteve sujeita.

Palavras-Chave: Imigração; Securitarização; Alemanha, Emigrante muçulmano; Comunidade Turca.

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