A Moralidade da Distância e da Guerra sem Risco

João Vicente

Abstract

A condução da Guerra de acordo com princípios éticos, não só é moralmente correta mas revela a humanidade da sociedade moderna. Ao confrontarmos a introdução de uma nova tecnologia no espaço de batalha com os princípios éticos e legais universalmente aceites, estamos a garantir os padrões morais das futuras gerações. A possibilidade de conduzir uma Guerra virtuosa, porque cirúrgica, consciente e escrupulosa, contrasta com o argumento de que se trata de uma Guerra virtual em que as imagens de vídeo reduzem o conflito a um distante jogo de consola. Uma das maiores críticas apontadas aos sistemas aéreos não tripulados, quando comparados com a alternativa viável, a tripulada, é de que infligem danos desproporcionados e desnecessários, nomeadamente em civis, em resultado do afastamento físico e da eventual desconexão emocional dos seus operadores. O estabelecimento de uma relação causal entre o distanciamento do combatente do ato de matar corpo a corpo, e a probabilidade de aumentar a eclosão da Guerra é difícil de determinar. Todavia, caso essa relação exista, então ela será sublimada pelo emprego de drones de combate, obrigando a uma diluição da perceção tradicional de combate. Importa por isso verificar se o aumento da distância poderá ser associado com a abstração ou indiferença à morte. E numa era em que a Guerra Aérea Remota se ameça transformar num instrumento de morte à escala industrial, será importante debruçar-mo-nos sobre os efeitos morais de tal emprego generalizado.  

Palavras-Chave: Guerra Aéres Remota, Unmanned Aircraft Systems, drones, moralidade. 

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